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Depois do vendaval, o Rio precisa olhar para o que pode ser evitado

GF

Especialista em Defesa do Consumidor e ex-Secretário de Estado de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro

Árvore caída após vendaval bloqueia uma rua e atinge a rede elétrica no Rio de Janeiro.

Rajadas acima de 100 km/h atingiram o Rio no fim de julho. Árvores caíram, telhados foram arrancados, vias ficaram bloqueadas e o fornecimento de energia foi afetado em diferentes regiões. Na manhã seguinte, mais de 510 mil imóveis no estado ainda estavam sem luz.

Um fenômeno dessa intensidade provoca estragos mesmo em cidades preparadas. A questão é outra: quanto desse prejuízo pode ser reduzido quando a prevenção funciona antes da emergência?

O Rio tem estrutura de monitoramento. O Centro de Operações e Resiliência acompanha as condições meteorológicas e pode mudar o estágio operacional da cidade diante da previsão de ocorrências de maior impacto. A Defesa Civil também mantém um sistema gratuito de alertas por SMS.

Isso é necessário, mas o aviso de que o vento está chegando é apenas uma parte do trabalho.


Prevenção também acontece quando o céu está limpo

Árvores precisam ser vistoriadas antes de apresentarem risco. Placas, coberturas e outras estruturas expostas ao vento exigem fiscalização. A rede elétrica precisa de manutenção e as equipes de resposta devem estar prontas para entrar em campo.

A Prefeitura mantém ações de manejo arbóreo e, em 2026, ampliou operações em vias com pedidos pendentes de poda e remoção. O Programa Corredores Verdes, por exemplo, considera o estado das árvores, os registros feitos no 1746 e possíveis conflitos com equipamentos urbanos.

Também houve uma nova operação em parceria com a Light Conecta para serviços de poda próximos à rede elétrica, com equipes e caminhões especializados.

O ponto é que esse trabalho precisa acompanhar o tamanho do risco. A queda de uma árvore não representa apenas uma rua interditada. Ela pode atingir uma casa, um carro, derrubar fios e deixar bairros inteiros sem energia.

Foi exatamente esse efeito em cadeia que apareceu no último vendaval.


O Rio precisa estar pronto para o próximo

Gestão de crise começa muito antes da crise.

Uma cidade sujeita a ventos fortes precisa saber quais áreas apresentam maior risco, quais árvores exigem intervenção, onde estão as estruturas mais vulneráveis e quem será responsável por cada ação quando houver um alerta.

Também precisa haver integração com as concessionárias. Depois do vendaval de julho, árvores sobre a rede e estruturas danificadas dificultaram o restabelecimento da energia em diferentes pontos.

Quem já trabalhou com gestão pública sabe que manutenção preventiva não aparece tanto quanto uma grande operação depois do desastre. Mas é justamente o trabalho feito antes que reduz o prejuízo depois.

O cidadão sente essa diferença dentro de casa: na comida que não estraga porque a energia voltou rápido, no carro que não foi atingido, na rua que permanece livre e na resposta que chega sem horas de espera.


Não existe forma de impedir um vendaval. Existe, sim, a obrigação de preparar a cidade para enfrentar seus efeitos.

O Rio já possui sistemas de monitoramento e ações de prevenção. O desafio é transformar esse trabalho em uma rotina permanente, integrada e compatível com os riscos que a cidade enfrenta.

Esperar o próximo vento forte para descobrir os mesmos problemas custa caro. E quem paga essa conta é a população.

Você acha que o Rio está preparado para enfrentar um novo vendaval? Para acompanhar essa discussão e o meu trabalho, siga @gutembergpfonseca e acesse gutembergfonseca.com.br. Tem alguma dúvida? Fale comigo pelo WhatsApp: (21) 92011-2255.

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