BlogEconomia e Consumidor· 3 min de leitura

A inflação diz uma coisa. O carrinho do mercado mostra outra.

GF

Especialista em Defesa do Consumidor e ex-Secretário de Estado de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro

Consumidor confere preços de alimentos enquanto faz compras em um supermercado.

Quem acompanha apenas o índice geral de inflação pode não entender por que a ida ao supermercado continua tão pesada.

Nos cinco primeiros meses de 2026, o IPCA acumulou alta de 3,20%. No mesmo período, os alimentos consumidos dentro de casa ficaram 5,68% mais caros. A diferença aparece justamente em uma despesa que não pode ser adiada. (DIEESE)

Para quem tem renda menor, comida ocupa uma parcela maior do orçamento. Um aumento no arroz, na carne, no leite ou nos legumes pesa muito mais para quem já chega ao fim do mês com pouco espaço para cortar gastos.


No Rio, quase 58% do salário líquido para comprar a cesta básica

Em março, a cesta básica no Rio de Janeiro custou R$ 867,97, segundo levantamento da Conab e do DIEESE. Era a segunda mais cara entre as 27 capitais pesquisadas. Para um trabalhador que recebia o salário mínimo, o valor representava 57,89% da renda líquida.

Naquele mês, o custo da cesta aumentou em todas as 27 capitais. No Rio, a alta em relação a fevereiro foi de 4,96%. Tomate, batata, feijão preto e leite estavam entre os produtos que mais subiram. (Conab e DIEESE)

É nessa hora que o consumidor começa a fazer escolhas dentro do próprio carrinho. Primeiro troca uma marca por outra. Depois reduz a quantidade. Em algum momento, deixa um produto para trás porque o dinheiro não fecha.


Para quem ganha menos, não existe muito espaço para cortar

Alimentação tem um peso diferente de outras despesas. Não dá para deixar a compra do mês para depois porque o preço subiu.

O DIEESE também apontou que, até maio, a inflação sentida pelas famílias de renda muito baixa foi maior do que entre as famílias de renda mais alta. A diferença ajuda a explicar por que os números gerais da economia nem sempre correspondem à experiência de quem está contando o dinheiro no caixa. (DIEESE)

Controlar a inflação é importante. Mas acompanhar o preço dos alimentos também precisa estar no centro da discussão sobre renda e custo de vida.

No fim das contas, é no supermercado que muita gente descobre quanto o salário ainda consegue comprar.


Uma cesta básica que consome quase 58% do salário mínimo líquido deixa pouco para aluguel, luz, transporte, remédios e todas as outras despesas do mês.

Quem pretende representar o Rio em Brasília precisa conhecer esses números, mas principalmente entender o que eles significam para quem precisa escolher o que cabe ou não no carrinho.

Na sua casa, qual produto mais pesou no supermercado nos últimos meses?

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