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O Brasil produz energia limpa. Então por que a conta de luz continua alta?

Cerca de 87% da eletricidade ofertada no país vem de fontes renováveis, mas o consumo é apenas uma parte do valor cobrado na fatura.

GF

Especialista em Defesa do Consumidor e ex-Secretário de Estado de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro

Consumidor conferindo os valores, tributos e contribuições cobrados em uma conta de energia elétrica.

O Brasil encerrou 2025 com 86,8% da matriz elétrica formada por fontes renováveis. Hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares colocam o país em uma posição privilegiada na produção de energia limpa.

O dado consta do Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026, publicado pela Empresa de Pesquisa Energética. Consulte o levantamento da EPE.

Essa vantagem, porém, não chega ao consumidor na forma de uma conta necessariamente mais barata.

O valor pago todos os meses não corresponde apenas à energia usada dentro de casa. A fatura também cobre o caminho percorrido até que ela chegue à tomada.


O que entra no valor da conta de luz

A tarifa reúne os custos de geração, transmissão e distribuição da energia. Também entram encargos do setor elétrico e tributos como PIS/Cofins e ICMS. Veja como a Aneel explica a composição da tarifa.

Na cidade do Rio de Janeiro, a conta ainda inclui a Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública, conhecida como COSIP. A Light faz a arrecadação por meio da fatura, mas o valor é destinado ao município.

A forma de calcular essa contribuição mudou em 2026. Desde as faturas de referência de maio, o enquadramento passou a considerar a média de consumo dos 12 ciclos anteriores, de maio de 2025 a abril de 2026. Como regra, a faixa definida permanece até o próximo reajuste tarifário da Light, previsto para 2027.

Existem exceções para unidades sem 12 meses de consumo, instalações novas e casos de troca de titularidade. Por isso, uma redução recente no consumo pode não alterar imediatamente o valor da COSIP. Consulte as regras e tabelas da COSIP na Prefeitura do Rio.


Como conferir se a cobrança está correta

Comece comparando a quantidade de quilowatts-hora consumida com a dos meses anteriores. Uma variação repentina pode estar relacionada a novos aparelhos, problemas na instalação, mudança no período de leitura ou erro no medidor.

Confira também a bandeira tarifária, os tributos, a COSIP e eventuais serviços ou parcelamentos incluídos na fatura.

No caso da COSIP, não basta olhar o consumo do mês atual. O consumidor deve verificar a faixa utilizada pela Prefeitura e consultar a tabela correspondente ao período da conta.

Ao encontrar uma cobrança que não reconhece, procure a distribuidora e peça uma explicação detalhada. Guarde a fatura e o protocolo do atendimento. Caso o problema não seja resolvido, a reclamação pode ser levada à ouvidoria da empresa, à Aneel ou a um órgão de defesa do consumidor.

Também é preciso cuidado com conteúdos que prometem a devolução automática de cinco anos de ICMS cobrado sobre as tarifas de transmissão e distribuição. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, no Tema Repetitivo 986, que a TUST e a TUSD integram a base de cálculo do imposto quando são lançadas na fatura como encargo pago diretamente pelo consumidor final. Não existe, portanto, um direito geral à restituição desses valores. Consulte a decisão divulgada pelo STJ.


Produzir energia renovável é importante para o país, mas isso não basta para reduzir a fatura. Antes de chegar à casa do consumidor, a energia passa por uma estrutura que envolve rede, encargos, impostos e contribuições.

A conta pode ser técnica, mas a cobrança precisa ser compreensível. O consumidor tem o direito de saber o que está pagando e de questionar qualquer valor que não esteja claro.

Para entender as cobranças que chegam à sua casa e acompanhar outros conteúdos sobre direitos do consumidor, siga @gutembergpfonseca e acompanhe gutembergfonseca.com.br.

Precisa de ajuda? Procure os canais oficiais:

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