O crime na relação de consumo é um vírus silencioso e pode ser combatido
Produtos falsificados, contrabando e práticas ilegais impactam a economia e colocam consumidores em risco.
Coluna de Defesa do Consumidor

O crime na relação de consumo é um vírus silencioso — e pode ser combatido.
Uma epidemia invisível
Experiência à frente da gestão pública, inclusive em momentos críticos como a pandemia, ensinou que as maiores ameaças nem sempre são visíveis. Hoje, fora do contexto sanitário, o Brasil convive com outra epidemia silenciosa: o crime nas relações de consumo. Um problema estrutural que afeta a economia, compromete a segurança e impacta diretamente a vida da população.
O tamanho do prejuízo
Contrabando, pirataria, falsificação e adulteração de produtos alimentam uma cadeia criminosa bilionária. Dados do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade apontam prejuízos de centenas de bilhões de reais ao país. São recursos que deixam de circular na economia formal, comprometendo empregos, arrecadação e investimentos em áreas essenciais.
Risco real para o consumidor
Mais do que números, trata-se de uma questão de risco real. Produtos falsificados ou adulterados não passam por controle de qualidade e podem causar danos à saúde e à segurança. Cosméticos irregulares provocam reações alérgicas, brinquedos sem certificação colocam crianças em perigo, e até itens aparentemente simples, como roupas e calçados, podem gerar lesões. O barato, nesses casos, pode sair caro e até perigoso.
Fiscalização e crime organizado
Operações de fiscalização têm mostrado a dimensão desse problema. A Operação Veritas, realizada em parceria com órgãos de controle e segurança, resultou na apreensão de mais de 30 toneladas de produtos piratas em estabelecimentos em diversas regiões do estado do Rio de Janeiro. Mercadorias que, além de enganar o consumidor, muitas vezes financiam atividades ilícitas como milícias, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Por que o consumidor compra irregular?
Muitas vezes, a escolha por um produto irregular está associada ao preço mais baixo, à falta de informação ou ao desejo de acesso a determinadas marcas. Por isso, a educação para o consumo é tão essencial quanto a fiscalização. Informar, orientar e conscientizar são etapas fundamentais para prevenir riscos.
Responsabilidade compartilhada
O enfrentamento ao crime nas relações de consumo passa, necessariamente, pela construção de uma cultura de responsabilidade compartilhada. O consumidor que exige nota fiscal, verifica a procedência do produto e denuncia irregularidades contribui diretamente para um mercado mais justo e seguro.
Como combater esse crime?
Esse tipo de crime é silencioso, mas seus efeitos são profundos. Combatê-lo é proteger não apenas o direito de escolha, mas a saúde, a segurança e a dignidade da população. A boa notícia é que existe solução: informação, fiscalização e engajamento coletivo são as ferramentas mais eficazes nessa luta.
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